quinta-feira, 24 de março de 2016

O menino criado a azeite de oliva e o meu macaco interior

Então, conheci Neil. Ele apareceu na escola onde eu trabalhava para fazer um teste de nivelamento e, quando eu o vi, meus hormônios enlouqueceram, enquanto eu sorria e dizia que ele precisaria ingressar no primeiro nível. "Eu apenas o acho bonito" - pensei - "Ele é um prospect a aluno e não vai passar disso..." Neil é gordinho, tem cara de quem foi um menino português criado a azeite de oliva e dono de um sorriso desses que qualquer pessoa poderia admirar por horas e umas pernas nas quais já sonhei em me entrelaçar.
Neil se inscreveu na escola, descobri que morávamos perto e isso era um pretexto para sempre lhe oferecer carona e passarmos cerca de dez minutos fumando e conversando sobre algo engraçado antes que ele entrasse em sua casa.
Então decidimos sair num encontro, onde derramei cerveja nele sem querer, e comecei a perceber que ele não estava confortável com o lugar, e acabamos numa lanchonete.
E decidimos sair de novo, onde bebi e falei umas besteiras, liberando meu macaco interior (As mulheres poderosas possuem uma diva interior, eu possuo um macaco) e, ali, a cada risada, pude ver a dissolução na cerveja do que restava da atmosfera de romance... Mas, me diverti.
Tentamos sair de novo, eu segurei na mão dele e na mesma hora eu notei que estava forçando a barra, e soltei, e no meio do filme ele me disse que estava namorando, que Fulano era um cara legal e eles tinham saído duas vezes naquela semana. "Que filho da puta legal! Quero que vocês dois queimem vivos com o tridente de Satanás enfiado no cu de vocês sejam muito felizes!"
E foi quando Neil e eu deixamos de sair, mas ainda fumávamos, riamos, conversávamos, com menor frequência.
E a escola fechou... Por maior campanha de marketing que fosse feita, estava numa zona cheia dos tubarões do ensino de idiomas... Neil sumiu, deve ter entrado em alguma crise existencial (descobri que ele tem muitas delas, sobre ser ex-gordo, sobre a auto imagem danificada e viver mudando de visual a cada semana e ainda continuar insatisfeito, olha a fogueira da qual me livrei).
O estranho foi instalar o grindr, algum tempo depois e encontrar um cara muito parecido ao Neil, até no nome, sendo gordinho, com cara de menino português criado a azeite de oliva, com um sorriso desses que qualquer pessoa poderia admirar por horas, umas pernas nas quais já me entrelacei, umas tatuagens deliciosas de lamber e que será o tema do próximo post.

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